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Foto: Fábio Barbosa |
A família de um menino de 6 anos, que morreu
terça-feira (3) após ser picado por um escorpião em Taquaritinga (SP), segundo atestado de óbito,
acusa unidades de saúde do município de terem feito diagnóstico errado sobre a
criança.
A alegação é de que profissionais da Unidade de
Pronto Atendimento (UPA) e na Santa Casa apontaram equivocadamente que Gabriel
Vinicius Santos da Silva teve complicações decorrentes de diabetes e que,
somente mais tarde, a caminho do Hospital Carlos Fernando Malzoni, em Matão
(SP), foi detectada a verdadeira causa das convulsões.
A secretária municipal de Saúde de Taquaritinga,
Fátima Balsani Caetano, confirmou que o possível envenenamento pela picada
somente foi cogitado por uma equipe médica na transferência para Matão.
Ela afirmou ainda que as unidades locais possuem
antídoto para veneno de escorpião, mas não se pronunciou quando questionada
sobre o suposto erro de diagnóstico, alegando que ela só responde
administrativamente pelos serviços de saúde.
Segundo a assessoria de imprensa do Hospital Carlos
Fernando Malzoni, o garoto deu entrada no local às 17h de domingo (1º) e morreu
na terça, após sofrer nove paradas cardíacas, em decorrência da picada do
escorpião, já que o veneno atua diretamente no músculo cardíaco.
O
diagnóstico
A enfermeira Claudinei de Santos, tia da criança, relata que no domingo (1º),
Gabriel foi levado à UPA vomitando e tendo convulsões. Na unidade, segundo ela,
o menino foi submetido a exames que teriam apontado problemas com o nível de
insulina no organismo do paciente.
Em seguida, após tentativas frustradas de aplicação
de insulina, ela conta que seu sobrinho foi encaminhado para a Santa Casa da
cidade, onde, novamente, uma equipe de atendimento insistiu no mesmo problema.
“Tiraram novamente os exames, bateram na tecla,
dizendo que ele estava com diabete. Só que ele começou a vomitar sangue e a
perder ar. Foi quando meu cunhado, pai do Gabriel, pediu para que o
transferissem”, diz.
Somente a caminho do hospital em Matão, Claudinei
afirma que os médicos desconfiaram que o menino tinha sido picado. Fato que, na
chegada ao atendimento, seria confirmado. “Um médico foi junto conversando com
ele. Foi quando ele [Gabriel] falou que um bichinho o tinha picado. Chegando
lá, uma médica o levou para fazer exames e falou que não tinha nada a ver com
diabete, que era escorpião mesmo.”
Mesmo após ficar internado, o menino não resistiu.
Sua morte foi confirmada às 5h30 desta terça-feira. O atestado de óbito
registrou que a morte foi consequência de insuficiência aguda grave, edema
agudo de pulmão e acidente com animal peçonhento, no caso, um escorpião.
“Gabriel era filho único. A mãe só tinha ele, mais ninguém. Era a vida da mãe
dele”, afirma Claudinei.
Prefeitura
A secretária municipal de Saúde Fátima Balsani Caetano confirma que a criança
foi atendida na UPA com queixa de náusea, vômito e falta de ar e foi
transferida para a Santa Casa depois de não apresentar melhoras a
“procedimentos iniciais”. No segundo hospital, o menino foi submetido a “todos
os exames clínicos possíveis” e, de acordo com ela, o único que mostrou
alteração foi um relacionado a glicemia.
Fátima também ratifica a transferência para Matão e
diz que, no caminho, uma enfermeira que acompanhava Gabriel suspeitou da picada
de escorpião. “Os dois profissionais de saúde da ambulância começaram a avaliar
a criança e viram uma leve picada, um sinal muito pequeno, no pé da criança.
Chegando ao hospital, o médico passou o caso para o intensivista e a partir daí
passou a se pensar no envenenamento por escorpião.”
A secretária alega ainda que as unidades de
atendimento de Taquaritinga dispõem de antídoto para veneno de escorpião e que
esta foi a primeira vez quem um paciente morre nessas circunstâncias. Ela
afirma que não lhe compete comentar a conduta dos médicos. "Eu respondo
administrativamente. Tecnicamente, o médico responde por ele.”