Pular para o conteúdo principal

Homem quase morre por picada de cabeça de cobra cortada do corpo

Cascavel. (Foto: Fábio Barbosa)
Circula pelas mídias de notícias e sociais a informação sobre a ocorrência, há algumas semanas, de picada de um homem pela cabeça cortada de uma cascavel que ele havia matado. Segundo relatos, o fato ocorreu no Texas (Estados Unidos). O homem estava trabalhando no jardim, quando viu a cobra cascavel de 1,25m. Em seguida, ele a matou cortando a cabeça. Ao pegar as partes do animal para se livrar delas foi mordido, sendo levado ao hospital para tratamento.

Apesar de circular muitas fakenews atualmente e parecer estranha esta notícia, tudo indica que ela é verdadeira. Tal fato pode realmente ocorrer, esclarece o farmacêutico bioquímico Jucelino Nery, do Centro de Informações Antiveneno (Ciave), órgão da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia.

Segundo o farmacêutico, “mesmo sendo decapitada, a serpente pode contorcer o corpo por mais de uma hora e a sua cabeça, mesmo separada do corpo, mantém o reflexo de mordida”. Afirma ainda que “estes movimentos ocorrem por um tempo (cerca de uma hora) após a morte do animal porque os neurônios motores do arco reflexo, os quais controlam os músculos sem necessitar de informações enviadas pelo cérebro (ou seja, sem a vontade ou consciência do animal) continuam transmitindo os estímulos elétricos, pois as células musculares ainda se encontram vivas”.

Como a peçonha é produzida e armazenada por duas glândulas localizadas na cabeça da serpente, as quais se interligam por canais até as presas do animal (dentes desenvolvidos semelhantes a agulhas hipodérmicas), a mordida pela cabeça desprendida do corpo poderá levar à inoculação de veneno, assim como ocorre com o animal vivo, esclarece o técnico do Ciave.

Segundo Manoel Joaquim B. de Paula R. de Miranda, biólogo e ex-estagiário do Ciave, já ocorreram outros casos, os quais também foram noticiados anteriormente. O biólogo relata três casos noticiados: um em 2007, em Washington (EUA), onde um homem de 53 anos foi mordido após cortar a cabeça de uma cascavel com uma pá. Em 2014, um chefe de cozinha chinês evoluiu para óbito em decorrência de mordida quando preparava um prato com a cobra que ele havia matado há 20 minutos. No mesmo ano, na Austrália, um senhor de 66 anos, ao pegar os restos do animal, foi mordido duas vezes quarenta e cinco minutos após cortar uma cobra ao meio.

Na Bahia foram notificados mais de 52.000 casos de acidentes por serpentes nos últimos três anos, com uma média anual de 17.000 casos. Em 2017, o número saltou para mais de 21.000 casos, segundo informações do Ciave.

No caso de acidente por animal peçonhento, deve-se manter a vítima calma, lavar o local da picada com água e sabão, colocá-la em repouso com a área afetada elevada (sobre um apoio) e transportá-la para uma unidade de urgência/emergência com a maior brevidade.

Fonte: Ciave.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Intoxicação por pó-de-mico

Continua um mistério a causa do surto que ocorreu no mês de março no município de Apuarema, interior da Bahia. A história teve início no dia 21/03, na Escola Municipal Aurino Nery, quando diversos alunos da oitava série manifestaram sinais de prurido na sala de aula causando uma pequena aglomeração naquele estabelecimento de ensino. Cerca de oito alunos manifestaram esses sinais na sala, saíram para o pavilhão e entraram em contato com turmas vizinhas  que acabaram manifestando os sintomas de prurido e urticária. O evento ocorreu se repetiu alguns dias depois. Ao todo foram mais de 40 crianças acometidas. Algumas apresentaram cefaléia. O colégio foi fechado temporariamente pela secretaria municipal de educação. As aulas foram retomadas no dia primeiro de abril sem indícios de um novo incidente. Suspeita-se que alguém tenha introduzido no local alguma substância. Pensou-se na possibilidade de ter sido “pó-de-mico”. O “pó-de-mico” consiste em tricomas (semelhante a pêlos) que recobrem as…

Ciave alerta para aumento do risco de acidente escorpiônico e fake news

Na Bahia, em 2018, ocorreram 24.714 casos de acidente por animais peçonhentos, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan, com 188 ocorrências em Salvador. Entre eles, o acidente escorpiônico predominou com 18.985 (76,8%), dos quais 47 se deram na capital.
No ano passado, o Centro de Informações Antiveneno – Ciave registrou o atendimento de 2.425 casos de escorpionismo. Já nessa primeira quinzena de janeiro, o Centro registrou 127 casos, 10% a mais que o mesmo período em 2018, com uma média de 9 ocorrências por dia.
Segundo Jucelino Nery, diretor do Ciave e coordenador estadual do Programa de Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos, os acidentes escorpiônicos tiveram em 2018 um aumento de 22%, em relação ao ano anterior. Além do clima, o crescimento desordenado das áreas urbanas, a falta de saneamento básico, o desmatamento e o acúmulo de lixo, entulhos e restos de material de construção fazem com que os escorpiões procurem abrigo e alimento (insetos…

Águas vivas começam a aparecer em maior quantidade em Itajaí

Quem aproveitou a manhã de quarta-feira para caminhar pela areia da Praia da Atalaia em Itajaí teve que desviar de águas vivas. Os organismos marinhos surgiram aos montes e deixaram a areia coberta. Apesar de causarem preocupação aos banhistas, as encontradas ali não provocam as populares queimaduras, que na verdade são um tipo de envenenamento. De acordo com o Corpo de Bombeiros a espécie presente na Atalaia é a racostoma atlanticun, que não queima. Isso, porém, não significa que os banhistas devem ter contato com o animal marinho. Isso porque é difícil identificar se uma água viva é nociva ou não. Coordenador de praia da corporação e oceanógrafo, o soldado Daniel Ribeiro explica que só especialistas conseguem identificar quais espécies causam queimaduras e que algumas se assemelham muito as racostoma, mas queimam. Ribeiro explica que o surgimento das águas vivas perto da costa ocorre em função de uma série de fatores naturais. Um deles são as correntes marinhas que transportam os orga…