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Ao atacar mamangava, pesticida ameaça colônias de extinção

Os pesticidas neonicotinoides são amplamente utilizados na agricultura, mas estudos recentes sugeriram um forte vínculo desses produtos com o declínio das populações de abelhas, especialmente na última década

Um pesticida comum usado em plantações compromete a habilidade das rainhas da mamangava (abelhas do gênero Bombus) de depositar ovos, ameaçando sua colônia de extinção, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira (14/8).

Experimentos de laboratório usaram doses de tiametoxame - uma das controversas famílias de neonicotinoides - que correspondiam ao que uma abelha-rainha pode encontrar na natureza.

A exposição ao produto químico alterou o tempo de formação das colônias e reduziu o número de ovos em mais de um quarto, disseram os pesquisadores.

"Isso mostrou que os impactos dos neonicotinoides na fundação de colônias - por si só - aumentam significativamente o risco de uma população de abelhas expostas ser extinta", disse à AFP Mark Brown, professor da Universidade de Londres e coautor do estudo.

A chance de colapso de colônia é de pelo menos 28%, disse.

Os pesticidas neonicotinoides são amplamente utilizados na agricultura, mas estudos recentes sugeriram um forte vínculo desses produtos com o declínio das populações de abelhas, especialmente na última década.

Como resultado, em 2013 a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) impôs uma moratória parcial e temporária sobre o seu uso, enquanto aguarda o resultado de uma revisão programada para ser concluída no final deste ano.

Mas os cientistas ainda estão tentando identificar como o inseticida afeta as abelhas, que são cruciais para a polinização de culturas que vão desde amêndoas e maçãs até pêssegos e ameixas.

Fundação de colônias

As novas descobertas, publicadas na revista científica Nature Ecology & Evolution, destacam um cenário plausível.

"Estudos anteriores ignoraram um aspecto-chave do ciclo de vida da mamangava, que é o estágio de fundação das colônias", disse Brown.

"Como a fundação de colônias bem-sucedida é fundamental para o tamanho das populações de mamangava, e as rainhas se alimentam de cultivos e plantas que podem ser contaminadas por neonicotinoides, esse estágio do ciclo de vida pode ser fundamental para entender os impactos dos neonicotinoides".

As rainhas de mamangava já enfrentam vários obstáculos ao iniciar uma nova colônia.

Se elas conseguem sobreviver ao inverno - durante o qual podem perder 80% das suas reservas de gordura -, ainda devem enfrentar parasitas, predadores, mau tempo e falta de comida.

Lidar com inseticidas pode ser uma ameaça grande demais, disseram os pesquisadores.

"Esses pesticidas podem ter um efeito devastador nas abelhas, e precisamos urgentemente saber mais sobre como os pesticidas podem estar afetando outras espécies", disse o coautor Nigel Raine, da Universidade de Guelph, no Canadá.

Uma revisão global feita em novembro passado concluiu que cerca de 1,4 bilhão de empregos e três quartos de todos os cultivos dependem de polinizadores, principalmente das abelhas.

Há cerca de 20.000 espécies de abelhas responsáveis por fertilizar mais de 90% das 107 maiores plantações do mundo.

No ano passado, as Nações Unidas disseram que 40% dos polinizadores invertebrados - particularmente abelhas e borboletas - correm risco de extinção global.

O chamado "distúrbio do colapso das colônias" é atribuído a ácaros, vírus ou fungos, pesticidas ou uma combinação de fatores.

Os neonicotinoides - pesticidas sintetizados em laboratório com base na estrutura química da nicotina - também pareciam estar ligados aos declínios de borboletas, pássaros e insetos aquáticos.

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