Pular para o conteúdo principal

Remédio aumenta casos de bebês "viciados" nos EUA; Brasil regula substância

Os Estados Unidos vêm enfrentando uma triste epidemia nos últimos anos, com o aumento do consumo de opioides. As substâncias derivadas do ópio, que podem ser encontradas em drogas e analgésicos prescritos por médicos, afetam até mesmo bebês. A escalada chegou a pontos tão críticos que foi tema de pronunciamento do Presidente Donald Trump na última terça-feira (8).

A preocupação aumentou com o aumento do uso de remédios com essa origem em quem deveria manter distância da substância: os bebês.

Segundo informações da rede "ABC", o uso indiscriminado das substâncias por mulheres gestantes tem afetado a vida dos recém-nascidos, que já nascem viciados nos opioides e apresentam sintomas advindos da dependência, como febre, irritabilidade e tremores.

"Um bebê que não para de chorar, não consegue dormir, que sua muito e que faz movimentos constantes com os lábios, como se estivesse sempre procurando algo para comer ou sugar", descreve o Dr. Jeffery Loughead, diretor do Central DuPage Hospital em Illinois. Ainda de acordo com ele, a comunidade médica está chamando o problema de Síndrome de Abstinência Neonatal (NAS).

Atualmente, estima-se que a doença já afete cerca de 500 bebês por ano nos EUA, o que representa um aumento de quase 50% no número de casos nos últimos anos. Com isso, os hospitais têm pensado em formas de auxiliar no tratamento dos recém-nascidos, fazendo uso de remédios e até mesmo de pequenas doses de morfina para aliviar a dor.

"É um longo e complicado caminho até que o bebê consiga se estabilizar. Infelizmente, eles podem acabar ficando longos períodos no hospital", afirma Loughead. "Algumas vezes, as mães nem sabem que os medicamentos que tomam podem causar esses efeitos nos filhos. Então, é um problema que deve ser tratado em longo prazo, porque não é uma situação que deve se estabilizar em um futuro próximo".

Realidade diferente no Brasil 

Apesar de estarem presentes em medicamentos que podem ser comercializados de forma legal no Brasil, os opioides raramente são receitados. Inclusive, em alguns casos, as substâncias são ministradas apenas nos hospitais, o que diminuiu a chance de existirem bebês com problemas desta natureza.

"Essas medicações não são de venda livre", afirma a neuropediatra Régia Gasparetto, em entrevista ao UOL. "Um exemplo é o Fentanil, que tem prescrição diferenciada e os pacientes não tem acesso fácil a ele. A codeína, que talvez seja o mais simples de ser adquirido, só é vendida com receita especial. É o tipo de medicação mais utilizada em pacientes com câncer, não algo que uma grávida vá fazer uso".

Porém, a médica confirma ainda que a utilização das substâncias, de forma lícita ou ilícita, pode afetar os bebês após o parto e acarretar em danos estruturais: "Se a mãe fez uso da medicação desde o primeiro trimestre da gestação, isso pode causar um dano cerebral. Quando crescer, a criança pode ter desde um problema comportamental até uma deficiência intelectual. Varia muito com relação ao grau de exposição e a sensibilidade de cada um".

Fonte: UOL (colaboração de Matheus Collaço)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Intoxicação por pó-de-mico

Continua um mistério a causa do surto que ocorreu no mês de março no município de Apuarema, interior da Bahia. A história teve início no dia 21/03, na Escola Municipal Aurino Nery, quando diversos alunos da oitava série manifestaram sinais de prurido na sala de aula causando uma pequena aglomeração naquele estabelecimento de ensino. Cerca de oito alunos manifestaram esses sinais na sala, saíram para o pavilhão e entraram em contato com turmas vizinhas  que acabaram manifestando os sintomas de prurido e urticária. O evento ocorreu se repetiu alguns dias depois. Ao todo foram mais de 40 crianças acometidas. Algumas apresentaram cefaléia. O colégio foi fechado temporariamente pela secretaria municipal de educação. As aulas foram retomadas no dia primeiro de abril sem indícios de um novo incidente. Suspeita-se que alguém tenha introduzido no local alguma substância. Pensou-se na possibilidade de ter sido “pó-de-mico”. O “pó-de-mico” consiste em tricomas (semelhante a pêlos) que recobrem as…

Ciave alerta para aumento do risco de acidente escorpiônico e fake news

Na Bahia, em 2018, ocorreram 24.714 casos de acidente por animais peçonhentos, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan, com 188 ocorrências em Salvador. Entre eles, o acidente escorpiônico predominou com 18.985 (76,8%), dos quais 47 se deram na capital.
No ano passado, o Centro de Informações Antiveneno – Ciave registrou o atendimento de 2.425 casos de escorpionismo. Já nessa primeira quinzena de janeiro, o Centro registrou 127 casos, 10% a mais que o mesmo período em 2018, com uma média de 9 ocorrências por dia.
Segundo Jucelino Nery, diretor do Ciave e coordenador estadual do Programa de Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos, os acidentes escorpiônicos tiveram em 2018 um aumento de 22%, em relação ao ano anterior. Além do clima, o crescimento desordenado das áreas urbanas, a falta de saneamento básico, o desmatamento e o acúmulo de lixo, entulhos e restos de material de construção fazem com que os escorpiões procurem abrigo e alimento (insetos…

Águas vivas começam a aparecer em maior quantidade em Itajaí

Quem aproveitou a manhã de quarta-feira para caminhar pela areia da Praia da Atalaia em Itajaí teve que desviar de águas vivas. Os organismos marinhos surgiram aos montes e deixaram a areia coberta. Apesar de causarem preocupação aos banhistas, as encontradas ali não provocam as populares queimaduras, que na verdade são um tipo de envenenamento. De acordo com o Corpo de Bombeiros a espécie presente na Atalaia é a racostoma atlanticun, que não queima. Isso, porém, não significa que os banhistas devem ter contato com o animal marinho. Isso porque é difícil identificar se uma água viva é nociva ou não. Coordenador de praia da corporação e oceanógrafo, o soldado Daniel Ribeiro explica que só especialistas conseguem identificar quais espécies causam queimaduras e que algumas se assemelham muito as racostoma, mas queimam. Ribeiro explica que o surgimento das águas vivas perto da costa ocorre em função de uma série de fatores naturais. Um deles são as correntes marinhas que transportam os orga…