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Experiência da Bahia em Vigilância de Acidentes por Animais Peçonhentos é apresentada no RJ

Ocorreu no período de 21 a 25 desse mês, em Niterói (RJ), o Seminário de Vigilância de Acidentes por Animais Peçonhentos, promovido pelo Ministério da Saúde. O evento teve como objetivo discutir a situação atual dos programas nacional e estaduais de controle de acidentes por animais peçonhentos; a situação da aquisição, solicitações e distribuições de antivenenos para os estados; a vigilância dos óbitos ocasionados por animais peçonhentos; a situação atual da produção dos soros antivenenos no Brasil, bem como promover a interação com as instituições afins a esse tema.

Além de representantes do Ministério da Saúde (MS) e das secretarias estaduais de saúde, estiveram presentes representantes do Instituto Butantan (IB-SP), Instituto Vital Brazil (IVB-RJ),  Fundação Ezequiel Dias (Funed-MG) e Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI-PR) – laboratórios oficiais produtores de soros antivenenos ; do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap/Unesp-SP), da Associação Brasileira de Centros de Informação e Assistência Toxicológica e Toxicologistas Clínicos (Abracit), da Rede Vital para o Brasil e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

No primeiro dia do seminário, representantes do MS abordaram a questão dos acidentes por animais peçonhentos sob a ótica da gestão a nível federal, apresentando as ações desenvolvidas pela coordenação do programa no MS e expondo a sua visão baseada nas informações obtidas através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação.

Nos dois dias seguintes, os responsáveis técnicos dos Programas Estaduais de Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos e técnicos dos Programas Estaduais de Imunizações relataram as suas experiências. Representando a Bahia, estavam presentes Jucelino Nery e Cícero Magalhães, ambos do Centro de Informações Antiveneno - Ciave (órgão coordenador do Programa na Bahia) e Daniele Ramos (subcoordenadora da Central de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos-CEADI, da Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Sesab).

Os profissionais tiveram a oportunidade de visitar a fazenda e as instalações de produção de imunobiológicos do Instituto Vital Brasil, conhecendo os detalhes de todo o processo produtivo, além de conhecerem os espécimes vivos de animais peçonhentos utilizados na extração de venenos.

O farmacêutico Jucelino Nery apresentou o perfil das ocorrências dos acidentes por animais peçonhentos na Bahia. Segundo ele, é grande a dificuldade para manter uma boa cobertura nos municípios quanto à distribuição dos soros antivenenos, frente à atual crise no abastecimento destes imunobiológicos e a grande extensão territorial do Estado. Abordou também sobre a problemática da subnotificação, que ainda é elevada; a necessidade de investigação dos óbitos notificados e as ações desenvolvidas pelo Ciave.

A Bahia é o quarto estado em número de acidentes por este tipo de animal, com uma média anual de 13.500 casos nos últimos dez anos, predominando os escorpiões (68,5%) e as serpentes (20,1%), e é o segundo em número de óbitos. O Ciave coordena o Programa Estadual de Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos desde 1986, desenvolvendo ao longo desses anos a vigilância e assistência desses agravos. 

Dentre as atividades desenvolvidas pelo Ciave, está a capacitação de técnicos de vigilância epidemiológica, agentes comunitários de saúde e de combate a endemias - visando a prevenção - e de profissionais de saúde que atuam em unidades de urgência e emergência quanto ao diagnóstico e tratamento dos envenenamentos.

Ao final das apresentações, ficou evidente que o fato da coordenação de vigilância desse agravo estar ligada a um centro de informação e assistência toxicológica, como o Ciave, contribui de forma significativa para o desenvolvimento de ações mais efetivas, assim como na intervenção junto às unidades de saúde para orientação quanto ao uso adequado dos soros antiveneno. Além disso, a expertise da equipe de profissionais do Centro, obtida e mantida a partir de atualizações acerca do tema e da prática no atendimento presencial, permite a orientação e condução dos casos de envenenamento de forma mais segura e adequada para o paciente, resultando na abreviação do tempo de permanência hospitalar e em um melhor prognóstico.

Fonte: Ciave.

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