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Desafios para a Toxicologia Clínica são discutidos em V Congresso Brasileiro

Com o tema central "As intoxicações no âmbito da atenção à saúde" foi aberto, na noite do dia 10 de setembro, o V Congresso Brasileiro de Toxicologia Clínica, que aconteceu em paralelo ao 2º Simpósio Brasileiro de Toxicologia Analítica e ao I Fórum Brasileiro e III Fórum Baiano Sobre Suicídio, no Fiesta Bahia Hotel, em Salvador. 

Representando o governador Jaques Wagner, o secretário da Saúde do Estado, Washington Couto destacou a importância da iniciativa do Ciave na realização do congresso. "Este congresso é fruto de um compromisso firmado há dois anos. Me coloco aqui como parceiro, pois precisamos ter uma visão multissetorial, visando reforçar o cuidado com a atenção básica em nosso Estado. Parabenizo a todos os servidores e servidoras do Ciave, que é uma instituição referência em saúde pública em todo o Brasil, pela realização deste evento que congrega os maiores especialistas em Toxicologia e a pesquisa científica nesta área", ressaltou Couto.


A abertura do evento, promovido pela Associação Brasileira dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica e Toxicologistas Clínicos (Abracit), por meio do Centro de Informações Antiveneno da Bahia (Ciave), da Secretaria da Saúde do Estado teve a presença do ortopedista Sérgio Okane, representando o Ministério da Saúde.


"A Toxicologia é uma área de estudo multidisciplinar, que engloba todas as áreas das ciências, mas sobretudo em Toxicologia Clínica, que tem um número de casos alarmante. Portanto nosso desafio é diário e estimulante", assinalou Daniel Rebouças, diretor do Ciave.


Trabalho do Núcleo de Estudos e Prevenção do suicídio foi apresentado no I Fórum Brasileiro sobre Suicídio

O depoimento de Sandra Campos, usuária do Núcleo de Estudos e Prevenção ao Suicídio – NEPS – desde 2010, depois de cinco tentativas de suicídio, foi um dos momentos marcantes da abertura do I Fórum Brasileiro e III Baiano sobre Suicídio, assinalando o transcurso do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Segundo Sandra Campos, chama atenção o estigma em relação à pessoa que tentou o suicídio, “seja da família, seja da população em geral. Diante desse estigma, começamos a omitir a depressão, que pode levar ao suicídio”.    

O I Fórum Brasileiro sobre Suicídio ocorreu em paralelo ao V Congresso Brasileiro de Toxicologia Clínica, que prosseguiu até sexta-feira, dia 12, numa iniciativa da Associação Brasileira dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica e Toxicologistas Clínicos (Abracit) e da Secretara da Saúde do Estado (Sesab), por meio do Centro de Informações Antiveneno da Bahia (Ciave). Na abertura do Fórum, a psicóloga Soraya Carvalho, idealizadora e coordenadora do NEPS, falou sobre o trabalho desenvolvido pelo serviço,  que atende, anualmente, cerca de 1.500 pacientes que tentaram suicídio ou  têm tendência ao suicídio.


Para Sandra Campos, o NEPS foi um “divisor de águas”, um espaço onde  aprendeu a conviver com a doença, e que considera sua “segunda casa”. A coordenadora do NEPS, por sua vez, lembrou que o acompanhamento multiprofissional é fundamental para as pessoas que tentaram ou têm tendência ao suicídio, e adiantou que existe um projeto para a realização de um curso de capacitação de profissionais de saúde para o atendimento a esses pacientes, possibilitando a descentralização da assistência, tendo em vista a grande desmanda observada no Núcleo.    

Saúde Pública

O suicídio constitui importante questão de saúde pública em todo o mundo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que até 2020, mais de 1,5 milhões de pessoas irão cometer suicídio a cada ano. O Brasil ocupa a 67ª posição numa classificação mundial em taxa de suicídio, mas em números absolutos, o Brasil está entre os 10 países com maior número de suicídios.

Durante o Fórum Brasileiro sobre Suicídio, em conferência sobre o tema "O Suicídio e sua Prevenção", o médico José Manoel Bertolote, que esteve à frente da criação do Suicide Prevention Program, um manual de prevenção do suicídio onde a OMS propõe recomendações para que os países-membros desenvolvam ações e políticas próprias, englobando assistência e prevenção do suicídio, revelou que os suicidas possuem uma visão da vida “como um túnel, sem saída”, e que é necessário mostrar a estas pessoas que existem outras formas de encarar o mundo.

“Esse trabalho é de toda a sociedade, não só das famílias. Todos nós podemos ajudar os suicidas”, disse o médico. Segundo ele, existe uma pré disposição nas pessoas que tentam o suicídio. “Mais de 90% das pessoas que tentam suicídio são portadoras de algum transtorno mental – depressão, alcoolismo ou esquizofrenia”, pontuou, acrescentando que o número de mortes por suicídio, no Brasil, é igual ao número de mortes por AIDS, mas não temos essa percepção.

Para Bertolote, o suicídio está sempre associado a uma doença, e precisa ser tratado. “Estes pacientes precisam de uma mão estendida, de ombro amigo”, concluiu o médico, que durante o evento lançou o livro “O Suicídio e sua Prevenção”. Na obra, o médico, que recebeu o prêmio Ringel Service Award, da International Association for Suicide Prevention, órgão da Organização Mundial de Saúde (OMS), aborda o assunto de forma analítica e do ponto de vista da prevenção, a partir de uma perspectiva holística acerca das causas dos comportamentos suicidas. Ele resgata as formas como a humanidade interpretou o suicídio ao longo da história e integra essas visões, criando um paradigma biopsicossocial que agrega aspectos culturais e sua influência sobre os comportamentos suicidas em diferentes países.

A coordenadora do NEPS, Soraya Carvalho, também durante o Fórum, lançou o livro: “A morte pode esperar? Clínica Psicanalítica do suicídio”, definido pela autora como “produto das inquietações despertadas a partir de uma prática clínica de mais de duas décadas, acompanhando em psicanálise pessoas que tentaram o suicídio ou que corriam o risco de fazê-lo, em contextos público e privado, no Ciave/NEPS, ambulatório de saúde mental ligado à rede pública de saúde do estado da Bahia, e em consultório particular.”

Segundo Soraya Carvalho, estudos mostram que mais da metade das mortes violentas no mundo são em decorrência do suicídio, com números que apontam em torno de 3 mil mortes por dia no mundo e mais de 1 milhão de mortes por ano. Como existe subnotificação desses eventos, os números devem ser ainda maiores.

Fonte: Sesab. Leia mais.

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