Pular para o conteúdo principal

Ciave alerta para o risco na ingestão de algumas sementes

Geralmente, ingerir o caroço ou sementes de algumas frutas não faz mal para a saúde, seja acidentalmente ou não. Segundo os especialistas, alguns oferecem tanto ou mais nutrientes do que a própria polpa. Podemos citar como exemplos o caroço do abacate, o qual possui 70% mais antioxidantes (que combatem o envelhecimento) do que a própria fruta e as sementes da melancia, ricas em vitaminas e sais minerais que ajudam a manter cabelo, unhas e pele saudáveis. Estas sementes devem ser mastigadas ou batidas no liquidificador junto com a polpa para que seus nutrientes sejam absorvidos.

Entretanto, o farmacêutico do Centro de Informações Antiveneno (Ciave), Jucelino Nery, alerta para o cuidado na ingestão de sementes e caroços de frutas. Embora algumas não façam mal quando ingeridas com moderação, outras possuem junto com os nutrientes algumas substâncias que podem ser tóxicas. Por isso, é importante obter informações a respeito dos seus valores nutricionais e também dos riscos à saúde.

Jucelino Nery cita como exemplos as sementes e caroços de pera, maçã, cereja, damasco e pêssego, os quais possuem um composto chamado amigdalina que, em contato com as enzimas do corpo humano libera o cianeto, substância capaz de gerar dor de cabeça, confusão mental, vômitos e até mesmo o óbito. O farmacêutico tranquiliza, informando que ingerir uma ou duas sementes de pera ou maçã não vai fazer mal.

Segundo matéria divulgada pela BBC, um homem sofreu intoxicação por cianeto depois de comer sementes de cereja no dia 17 deste mês, em Lancashire (Reino Unido). Segundo a vítima, a “curiosidade” quase o matou quando ele decidiu morder as sementes, logo em seguida começou a se sentir mal, sendo encaminhado para o hospital.

Segundo o relato, dentro de 20 minutos após comer três sementes, ele sentiu cansaço extremo e teve uma dor de cabeça. A vítima só percebeu o potencial de envenenamento após uma busca on-line, então, ligou para o serviço de emergência. Sua parceira o levou ao Hospital Blackpool Victoria, onde recebeu um antídoto.

Segundo Jucelino, muitas vezes casos semelhantes ocorrem e as pessoas não se dão conta de que sofreram uma intoxicação. Casos assim podem ocorrer também com quem tem o hábito de utilizar a noz moscada com fins terapêuticos, pois esta semente possui uma substância chamada de miristicina, que em grande quantidade (geralmente mais de uma semente) produz séria intoxicação, como em alguns eventos atendidos pelo Centro Antiveneno.

Fonte: Ciave

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Intoxicação por pó-de-mico

Continua um mistério a causa do surto que ocorreu no mês de março no município de Apuarema, interior da Bahia. A história teve início no dia 21/03, na Escola Municipal Aurino Nery, quando diversos alunos da oitava série manifestaram sinais de prurido na sala de aula causando uma pequena aglomeração naquele estabelecimento de ensino. Cerca de oito alunos manifestaram esses sinais na sala, saíram para o pavilhão e entraram em contato com turmas vizinhas  que acabaram manifestando os sintomas de prurido e urticária. O evento ocorreu se repetiu alguns dias depois. Ao todo foram mais de 40 crianças acometidas. Algumas apresentaram cefaléia. O colégio foi fechado temporariamente pela secretaria municipal de educação. As aulas foram retomadas no dia primeiro de abril sem indícios de um novo incidente. Suspeita-se que alguém tenha introduzido no local alguma substância. Pensou-se na possibilidade de ter sido “pó-de-mico”. O “pó-de-mico” consiste em tricomas (semelhante a pêlos) que recobrem as…

Ciave alerta para aumento do risco de acidente escorpiônico e fake news

Na Bahia, em 2018, ocorreram 24.714 casos de acidente por animais peçonhentos, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan, com 188 ocorrências em Salvador. Entre eles, o acidente escorpiônico predominou com 18.985 (76,8%), dos quais 47 se deram na capital.
No ano passado, o Centro de Informações Antiveneno – Ciave registrou o atendimento de 2.425 casos de escorpionismo. Já nessa primeira quinzena de janeiro, o Centro registrou 127 casos, 10% a mais que o mesmo período em 2018, com uma média de 9 ocorrências por dia.
Segundo Jucelino Nery, diretor do Ciave e coordenador estadual do Programa de Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos, os acidentes escorpiônicos tiveram em 2018 um aumento de 22%, em relação ao ano anterior. Além do clima, o crescimento desordenado das áreas urbanas, a falta de saneamento básico, o desmatamento e o acúmulo de lixo, entulhos e restos de material de construção fazem com que os escorpiões procurem abrigo e alimento (insetos…

Águas vivas começam a aparecer em maior quantidade em Itajaí

Quem aproveitou a manhã de quarta-feira para caminhar pela areia da Praia da Atalaia em Itajaí teve que desviar de águas vivas. Os organismos marinhos surgiram aos montes e deixaram a areia coberta. Apesar de causarem preocupação aos banhistas, as encontradas ali não provocam as populares queimaduras, que na verdade são um tipo de envenenamento. De acordo com o Corpo de Bombeiros a espécie presente na Atalaia é a racostoma atlanticun, que não queima. Isso, porém, não significa que os banhistas devem ter contato com o animal marinho. Isso porque é difícil identificar se uma água viva é nociva ou não. Coordenador de praia da corporação e oceanógrafo, o soldado Daniel Ribeiro explica que só especialistas conseguem identificar quais espécies causam queimaduras e que algumas se assemelham muito as racostoma, mas queimam. Ribeiro explica que o surgimento das águas vivas perto da costa ocorre em função de uma série de fatores naturais. Um deles são as correntes marinhas que transportam os orga…