Pular para o conteúdo principal

Estudo Mostra Risco de Uso do Paracetamol com Dose Acima da Recomendada


O uso de doses elevadas repetidas de paracetamol pode ser fatal, de acordo com os resultados obtidos em um grande estudo de coorte publicado on line em 22 de novembro no British Journal of Clinical Pharmacology.

De acordo com Kenneth J. Simpson, da Division of Clinical and Surgical Sciences, Universdade de Edimburgo (Reino Unido) e um dos autores do estudo, "na admissão, esses pacientes com overdose escalonada eram mais propensos a terem problemas de fígado e cérebro, requeriam diálise renal ou auxílio respiratório e apresentavam um risco maior de morrer do que as pessoas que tomaram overdose única".

Os pacientes avaliados não fizeram ingestão de sobredose única e sim em doses continuadas e, nestes casos, os danos se acumularam ao longo do tempo, podendo ser fatal.

No Reino Unido, a hepatotoxicidade devido ao uso de paracetamol é a principal causa de insuficiência hepática aguda. No entanto, o efeito de um padrão de overdose escalonada ou a demora na busca de atendimento médico sobre a mortalidade ou necessidade de transplante hepático de urgência era até então desconhecida.

De 663 pacientes internados com lesão hepática grave induzida por paracetamol, entre 1992 e 2008, 161 (24,3%) tinham tomado uma overdose escalonada. Em comparação com pacientes que tomaram uma overdose de uma única vez, os pacientes com overdose escalonada eram significativamente mais velhos e mais propensos ao abuso de álcool.

Quando questionados por que eles ingeriram repetidamente o paracetamol mais do que a dose recomendada, a maioria dos pacientes com overdose escalonada citou o alívio da dor como sua justificativa (58,2%).

Em comparação com pacientes que tomaram uma overdose de uma única vez, aqueles que tomaram overdoses escalonadas tiveram uma dose total ingerida menor do medicamento e níveis séricos mais baixos de alanina aminotransferase (ALT) na admissão. No entanto, eles eram mais propensos a apresentarem encefalopatia e exigirem terapia de transplante renal ou ventilação mecânica.

Embora a mortalidade tenha sido maior nos caos de overdoses escalonadas do que em um único tempo de overdoses (37,3% vs 27,8%, P = 0,025), o padrão de overdose escalonada não foi um fator preditivo independente de mortalidade.

Tanto os pacientes que fizeram uso de overdose escalonada quanto aqueles que utilizaram sobredose única e demoraram em procurar o atendimento médico precisam ser monitorados de perto e deve ser considerada a terapia com o uso do antídoto N-acetilcisteína (NAC), independentemente da concentração de paracetamol no sangue, de acordo com o Dr. Simpson, uma vez que ambos os grupos apresentam elevado risco de desenvolver falência múltipla de órgãos.

O estudo conclui que tanto a procura tardia de atendimento médico (> 24 horas) quanto a overdoses escalonada estão fortemente associados com lesões de múltiplos órgãos e da necessidade de transplante de fígado. Pacientes com esses padrões de sobredosagem devem ser tratados como de alto risco de progressão para insuficiência hepática aguda e devem ser tratados com NAC, enquanto aguarda os níveis séricos de ALT e a determinação do tempo de protrombina (TP).

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Intoxicação por pó-de-mico

Continua um mistério a causa do surto que ocorreu no mês de março no município de Apuarema, interior da Bahia. A história teve início no dia 21/03, na Escola Municipal Aurino Nery, quando diversos alunos da oitava série manifestaram sinais de prurido na sala de aula causando uma pequena aglomeração naquele estabelecimento de ensino. Cerca de oito alunos manifestaram esses sinais na sala, saíram para o pavilhão e entraram em contato com turmas vizinhas  que acabaram manifestando os sintomas de prurido e urticária. O evento ocorreu se repetiu alguns dias depois. Ao todo foram mais de 40 crianças acometidas. Algumas apresentaram cefaléia. O colégio foi fechado temporariamente pela secretaria municipal de educação. As aulas foram retomadas no dia primeiro de abril sem indícios de um novo incidente. Suspeita-se que alguém tenha introduzido no local alguma substância. Pensou-se na possibilidade de ter sido “pó-de-mico”. O “pó-de-mico” consiste em tricomas (semelhante a pêlos) que recobrem as…

Ciave alerta para aumento do risco de acidente escorpiônico e fake news

Na Bahia, em 2018, ocorreram 24.714 casos de acidente por animais peçonhentos, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan, com 188 ocorrências em Salvador. Entre eles, o acidente escorpiônico predominou com 18.985 (76,8%), dos quais 47 se deram na capital.
No ano passado, o Centro de Informações Antiveneno – Ciave registrou o atendimento de 2.425 casos de escorpionismo. Já nessa primeira quinzena de janeiro, o Centro registrou 127 casos, 10% a mais que o mesmo período em 2018, com uma média de 9 ocorrências por dia.
Segundo Jucelino Nery, diretor do Ciave e coordenador estadual do Programa de Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos, os acidentes escorpiônicos tiveram em 2018 um aumento de 22%, em relação ao ano anterior. Além do clima, o crescimento desordenado das áreas urbanas, a falta de saneamento básico, o desmatamento e o acúmulo de lixo, entulhos e restos de material de construção fazem com que os escorpiões procurem abrigo e alimento (insetos…

Águas vivas começam a aparecer em maior quantidade em Itajaí

Quem aproveitou a manhã de quarta-feira para caminhar pela areia da Praia da Atalaia em Itajaí teve que desviar de águas vivas. Os organismos marinhos surgiram aos montes e deixaram a areia coberta. Apesar de causarem preocupação aos banhistas, as encontradas ali não provocam as populares queimaduras, que na verdade são um tipo de envenenamento. De acordo com o Corpo de Bombeiros a espécie presente na Atalaia é a racostoma atlanticun, que não queima. Isso, porém, não significa que os banhistas devem ter contato com o animal marinho. Isso porque é difícil identificar se uma água viva é nociva ou não. Coordenador de praia da corporação e oceanógrafo, o soldado Daniel Ribeiro explica que só especialistas conseguem identificar quais espécies causam queimaduras e que algumas se assemelham muito as racostoma, mas queimam. Ribeiro explica que o surgimento das águas vivas perto da costa ocorre em função de uma série de fatores naturais. Um deles são as correntes marinhas que transportam os orga…