Pular para o conteúdo principal

A Toxicovigilância na Bahia é tema de sessão científica

Os sistemas de informação em saúde e a toxicovigilância na Bahia foi o tema da sessão científica do Centro de Informações Antiveneno da Bahia (Ciave) deste mês, mediada pelo farmacêutico Jucelino Nery. 

O evento é realizado mensalmente e tem como objetivo promover a atualização, a integração e a troca de saberes entre os técnicos e estagiários do Centro.
As acadêmicas Gessica Sacramento e Ueslaine Pereira, estagiárias de Farmácia, abordaram sobre a toxicovigilância e os sistemas de informação utilizados pelo Ciave, vigilância essa que consiste em um conjunto de ações que tem como objetivo eliminar ou diminuir as situações que possam comprometer a integridade física, mental e social dos indivíduos expostos às substâncias químicas. Enfatizou-se a sua importância para a saúde pública, ressaltando que o CIAVE, como centro estadual de referência em Toxicologia, tem promovido ações para o controle dos eventos toxicológicos, bem como contribuído para desenvolver e estimular a cultura de toxicovigilância no Estado.
Jucelino Nery ressaltou que, apesar de não se ter instituída oficialmente uma política de toxicovigilância na Bahia, as ações nessa área são desenvolvidas também por outros órgãos como a Diretoria de Vigilância Sanitária (Divisa), a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep) e a Diretoria de Vigilância e Atenção à Saúde do Trabalhador (Divast/Cesat), órgãos da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia.
Na abordagem sobre os principais sistemas de informação em saúde utilizados pelo Ciave, as estagiárias Graziely Pinheiro (estagiária de Veterinária), Maria Natália Soares (estagiária de Farmácia) e Marta Moura (estagiária de Enfermagem) falaram sobre o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e apresentaram os dados referentes às notificações das intoxicações por agrotóxicos de uso doméstico, produtos de baixa toxicidade aguda e concentração que visam o controle de pragas urbanas em ambientas domésticos.
De acordo com o Sinan, foram notificados 3.562 intoxicações exógenas ocorridos em 2013, sendo 51 por agrotóxicos de uso doméstico (1,4%). Maria Natália e Marta mostraram que há problemas de qualidade das informações. Jucelino Nery enfatizou que, ao se reavaliar a classificação dos agentes causadores da intoxicação dos casos notificados e corrigindo-se os erros, constata-se que o número deste tipo de agravo sobe para 84 casos (2,4%).
Raissa Matos, estagiária de Farmácia, em sua apresentação sobre o Sistema de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), focou a atual situação do sistema e alertou, também, para a importância de se ter informações com qualidade e confiáveis, de forma que se tenha parâmetros fidedignos para o planejamento e adoção de ações efetivas em saúde pública. Esclareceu para os demais estagiários como funciona o Sinitox e que, em relação à Bahia, o Ciave constitue em sua fonte de informações. Segundo o Centro, em 2013 foram registrados cerca de 7.280 casos (incluindo animais peçonhentos), sendo que 129 (1,8%) foram por causados por agrotóxicos de uso doméstico.
Jucelino reforçou, ainda, que a coleta, análise e o gerenciamento adequado destas informações permitem atuar em todas as áreas da prevenção e gerenciar adequadamente os incidentes envolvendo os agentes tóxicos, considerando sua complexidade, o que implica em ações multidisciplinares e intersetoriais, as quais consistem em intervenções específicas de promoção, prevenção e recuperação da saúde, além das políticas públicas.

A próxima sessão científica do Ciave está agendada para o dia 26/11, às 14 horas, e terá como tema a situação dos agrotóxicos na Bahia.
Fonte: Ciave.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Intoxicação por pó-de-mico

Continua um mistério a causa do surto que ocorreu no mês de março no município de Apuarema, interior da Bahia. A história teve início no dia 21/03, na Escola Municipal Aurino Nery, quando diversos alunos da oitava série manifestaram sinais de prurido na sala de aula causando uma pequena aglomeração naquele estabelecimento de ensino. Cerca de oito alunos manifestaram esses sinais na sala, saíram para o pavilhão e entraram em contato com turmas vizinhas  que acabaram manifestando os sintomas de prurido e urticária. O evento ocorreu se repetiu alguns dias depois. Ao todo foram mais de 40 crianças acometidas. Algumas apresentaram cefaléia. O colégio foi fechado temporariamente pela secretaria municipal de educação. As aulas foram retomadas no dia primeiro de abril sem indícios de um novo incidente. Suspeita-se que alguém tenha introduzido no local alguma substância. Pensou-se na possibilidade de ter sido “pó-de-mico”. O “pó-de-mico” consiste em tricomas (semelhante a pêlos) que recobrem as…

Ciave alerta para aumento do risco de acidente escorpiônico e fake news

Na Bahia, em 2018, ocorreram 24.714 casos de acidente por animais peçonhentos, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan, com 188 ocorrências em Salvador. Entre eles, o acidente escorpiônico predominou com 18.985 (76,8%), dos quais 47 se deram na capital.
No ano passado, o Centro de Informações Antiveneno – Ciave registrou o atendimento de 2.425 casos de escorpionismo. Já nessa primeira quinzena de janeiro, o Centro registrou 127 casos, 10% a mais que o mesmo período em 2018, com uma média de 9 ocorrências por dia.
Segundo Jucelino Nery, diretor do Ciave e coordenador estadual do Programa de Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos, os acidentes escorpiônicos tiveram em 2018 um aumento de 22%, em relação ao ano anterior. Além do clima, o crescimento desordenado das áreas urbanas, a falta de saneamento básico, o desmatamento e o acúmulo de lixo, entulhos e restos de material de construção fazem com que os escorpiões procurem abrigo e alimento (insetos…

Águas vivas começam a aparecer em maior quantidade em Itajaí

Quem aproveitou a manhã de quarta-feira para caminhar pela areia da Praia da Atalaia em Itajaí teve que desviar de águas vivas. Os organismos marinhos surgiram aos montes e deixaram a areia coberta. Apesar de causarem preocupação aos banhistas, as encontradas ali não provocam as populares queimaduras, que na verdade são um tipo de envenenamento. De acordo com o Corpo de Bombeiros a espécie presente na Atalaia é a racostoma atlanticun, que não queima. Isso, porém, não significa que os banhistas devem ter contato com o animal marinho. Isso porque é difícil identificar se uma água viva é nociva ou não. Coordenador de praia da corporação e oceanógrafo, o soldado Daniel Ribeiro explica que só especialistas conseguem identificar quais espécies causam queimaduras e que algumas se assemelham muito as racostoma, mas queimam. Ribeiro explica que o surgimento das águas vivas perto da costa ocorre em função de uma série de fatores naturais. Um deles são as correntes marinhas que transportam os orga…