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Uso de soro antiveneno é racionalizado no estado da Bahia

Foto: Fábio Barbosa
A redução de soros antivenenos na Bahia, que ocorre há pelo menos dois meses, preocupa profissionais de saúde e pesquisadores da área. Por causa da reposição insuficiente, os Núcleos Regionais de Saúde e gestores dos hospitais baianos estão sendo orientados a racionar o uso dos antídotos.
O diretor do Centro de Informações Antiveneno (Ciave), Daniel Rebouças, conta que o estoque do antibotrópico, utilizado para combater veneno de jararaca, é o mais afetado.
Apesar de não quantificar a redução, ele diz que,  como estratégia para evitar a falta do soro,  está reduzindo a distribuição de medicamentos  em alguns municípios, conforme a demanda.
"Também estamos orientando os profissionais a evitar a utilização desnecessária. Mas, até o momento, não chegou a faltar", afirmou.
Nacional
Segundo Rejane Lira,  coordenadora da Rede Nacional de Informação, Diálogo e Cooperação sobre Animais Peçonhentos e professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), a redução ocorre em todo o Brasil há mais de dois anos.
Os laboratórios responsáveis pela produção dos soros no  país - Institutos Butantan e Vital Brazil, Fundação Ezequiel Dias (Funded)e Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos - pararam de produzi-los.
A interrupção ocorreu em atendimento a uma solicitação de adequação das Boas Práticas de Fabricação feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Para  Rejane Lira, o problema é fruto de desorganização e incompetência do Ministério da Saúde: "O órgão teria que pensar  um rodízio entre os laboratórios para não parar a produção de vez". 

Ela conta que a produção só não foi interrompida por completo porque os quatro laboratórios se reuniram e decidiram fazer uma produção compartilhada. Mesmo assim, alguns estão dependendo da produção de plasma, feita pela Funded. "O  impacto é terrível, porque o soro antiveneno é o único tratamento para picada de animais peçonhentos. A falta dele coloca a vida das pessoas em risco", alerta.
A pesquisadora lembra que a Bahia é um dos estados que tem o maior número de acidentes com esses animais  - segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) - e   integra a lista das doenças  negligenciadas da Organização Mundial de Saúde.
Segundo Rebouças, os acidentes  mais comuns no estado ocorrem com escorpião e jararaca, embora não precisasse a quantidade. Rejane Lira afirma que casos com escorpião são frequentes em Salvador, mas afeta com mais gravidade  as crianças. Os tipos mais comuns  são os Tityus stigmurus (listrado) e  Tityus ferrulatus (amarelo).
Fonta: A Tarde.

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