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Suicídio na Adolescência: Abordagem para a Prevenção

O Boletim de Notícias Científicas do Medical Services desta quinta-feira (03/02) publica, em sua coluna “Literatura Comentada”, a opinião da psiquiatra Maria Cristina Bechelany Dutra sobre o artigo “Abordagem para a prevenção do suicídio na adolescência”, de M. Kostenuik e M. Ratnapalan, publicado em agosto de 2010 no periódico Canadian Family Physician. A Dra. Maria Cristina é mestre em psicologia social e preceptora da residência de psiquiatria do Hospital de Ensino Instituto Raul Soares/FHEMIG, Belo Horizonte:

“O tema suicídio mobiliza não somente profissionais da área da saúde mental, mas também dos mais diversos segmentos da sociedade: filósofos, sociólogos, psicólogos, médicos, antropólogos, entre vários outros. Quando o tema é suicídio na infância e na adolescência, maior a contundência e maiores os conflitos em torno dele. Felizmente, o suicídio na infância e na adolescência é raro, mas, mesmo assim, constitui uma das causas de morte mais comuns no grupo de pessoas mais jovens. Além do mais, as taxas de suicídio e tentativas de suicídio tendem a aumentar com o aumento da idade, fazendo com que as estratégias de prevenção tenham os adolescentes como foco.

Os fatores de risco que influenciam o aumento do número de suicídios apresentam diferentes etiologias, destacando-se a interferência da genética, a dinâmica familiar e as influências do meio externo (escola, amigos, rede social, televisão, vídeo, internet). Além disso, as desordens psiquiátricas podem ser consideradas fatores de risco. Segundo Pelkonen et Marttunen, a relação entre transtorno psiquiátrico e tentativas de suicídio na infância e adolescência já foi bem estabelecida. Dentre os transtornos psiquiátricos mais prevalentes destacam-se os transtornos de humor, sobretudo a depressão e o abuso de substância. Entretanto, segundo estes mesmos autores, menos da metade dos jovens que tentam suicídio recebem ajuda psiquiátrica anterior à tentativa.

O principal alvo, portanto, para uma efetiva prevenção do suicídio entre os jovens seria o estabelecimento de metas que tivessem como efeito a redução dos fatores de risco para o suicídio. Uma das metas poderia ser, sem dúvida, o reconhecimento, por parte das equipes de serviços de atenção primária, das desordens psiquiátricas que acometem a criança e o adolescente, bem como o tratamento precoce. Além disto, não há como não se levar em conta no planejamento do tratamento a importância da presença familiar, sendo fundamental a abordagem da família em todos os seus aspectos.”

Fonte: Medical Services. Leia mais.

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