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"Quanto menos se fala no suicídio, mais propício que ele aconteça", diz especialista

Em termos mundiais, o suicídio é a principal causa de morte de pessoas entre 15 e 29 anos. No Brasil, é o terceiro fator que mais mata nessa faixa etária, perdendo apenas para homicídios e acidentes de trânsito. Com o objetivo de tentar evitar que esses números aumentem, existe no Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) o Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio (Neps), parte integrante do Centro de Informações Antiveneno (Ciave). Criado em 2007, o Neps busca acompanhar pacientes que tentaram suicídio e oferecer tratamento àqueles que não tentaram, mas correm esse risco. Em entrevista ao Bahia Notícias, a idealizadora e coordenadora do Neps, Soraya Carvalho, explicou o funcionamento do espaço, desafios enfrentados e problemas ligados ao suicídio. "Quanto menos a gente fala sobre o assunto, mais propício que ele aconteça. Quando a gente desmistifica e diz coisas como 'isso pode acontecer com qualquer pessoa' ou 'ele vinha se manifestando dessa maneira', mostra que as pessoas devem estar atenta a sinais", explicou a psicóloga sobre como ajudar um possível suicida. A especialista é ainda autora do livro "A morte pode esperar?", no qual aborda o suicídio.


Soraya Carvalho, coordenadora do Neps.  (Foto: Jamile Amine)
Quais são as principais atividades realizadas pelo Neps?
Vou só fazer uma introdução, porque antes do Neps propriamente dito, já existia um serviço de psicologia do Centro de Informações Antiveneno, onde era prestado atendimento e acompanhamento psicológico de pacientes que haviam tentado suicídio e eram socorridos na emergência do Hospital Roberto Santos. O atendimento começava na emergência, se estendia durante todo o período em que o paciente permanecia internado e, após a alta, havia o atendimento ambulatorial. Depois de 16 anos de funcionamento com esse formato, sugeri à direção na época que nós ampliássemos o serviço. Que ele deixasse de ser só um serviço de assistência e que passasse a ser também um trabalho no nível da prevenção. Nós mantivemos o formato anterior, de atender pacientes que haviam tentado suicídio, e passamos a atender também pacientes que ainda não haviam tentado, mas que corriam o risco de fazê-lo. Normalmente, pacientes com depressão grave e que tenham ou não já tentado suicídio. Atualmente, além de acompanhamento psicológico, o paciente também já dispõe de um acompanhamento psiquiátrico e de terapia ocupacional. Os atendimentos são individuais e também de grupo, no caso da terapia ocupacional.

Como esses pacientes chegam até o núcleo?
Existem duas portas de entrada: a primeira seria pela emergência do Hospital Roberto Santos, após a tentativa de suicídio, ou por meio do ambulatório, que pode ser por demanda espontânea ou encaminhado por um profissional da saúde. Então se um paciente ou a família reconhece a necessidade, ele pode se dirigir diretamente e pedir o atendimento. O único problema que nós temos atualmente é que o Neps cresceu muito - hoje temos dois psicólogos, três psiquiátricas, duas terapeutas ocupacionais e uma enfermeira -, mas nós não damos conta da demanda. Para se ter uma ideia, nós temos uma média de 100 novos casos de tentativas de suicídio por mês. Salvador é considerada a capital com menor índice de suicídios no Brasil. Ainda assim, nós temos uma média de 100 novos casos todo mês. Então existe uma demanda muito grande. Para resolver esse problema, nós estamos organizando um curso de capacitação de atendimento de pacientes suicidas dirigido para profissionais da saúde mental para que os Caps [Centro de Atenção Psicossocial], os centros de saúde e os próprios hospitais que trabalham na linha da saúde mental. O formato que a gente acolhe esses pacientes é completamente diferente daquele usado para pacientes com transtornos mentais no geral. É necessário que esses profissionais estejam capacitados para atender a essa demanda e, dessa forma, resolver o problema da lista de espera que a gente já tem.

De que forma é realizado o atendimento? O paciente é internado?
O Neps, na verdade, é um ambulatório de saúde mental que funciona dentro do Hospital Roberto Santos.. Ele não funciona 24 horas. O paciente é atendido em uma consulta ambulatorial ou está internado por conta de intoxicação. Esse paciente recebe atendimento enquanto está internado no hospital e, após a alta, no nível ambulatorial. Não existe internamento no Neps.

Qual a taxa de suicídios e de tentativas de suicídio na Bahia?
Segundo os dados da OMS, registra-se uma média de 1 milhão de suicídios por ano no mundo, o que corresponderia a um sucídio a cada 40 segundos. No Brasil, nós temos um suicídio a cada hora, o que daria 3 mil suicídios por ano. Na Bahia, esses índices são bem menores. Em geral, o Brasil tem uma média de 4,5 a 5,6 suicídios por cada 100 mil habitantes. Essa média é considerada baixa com relação ao resto do mundo. Entretanto, nós ocupamos o nono lugar no ranking mundial em números absolutos. O suicídio é um problema de saúde pública mundial e nós não temos um programa nacional de prevenção do suicídio. Começa a surgir, de forma muito incipiente, o primeiro plano em Brasília, mas ainda não temos um plano nacional. Existem núcleos locais pondo em prática. Voltando aos números, estima-se de 10 a 25 tentativas de suicídio para cada suicídio. Se a gente tem 1 milhão de suicídios no mundo, a gente pode ter 25 milhões de tentativas. O que se gasta anualmente para tratar o suicídio e suas sequelas é equivalente ao custo de uma guerra. Há estudos que mostram ainda que já morreu mais gente por suicídio, na história da humanidade, do que em guerras. Outro dado interessante é que ele é a primeira causa de morte no mundo entre pessoas de 15 aos 29 anos. Já no Brasil, é a terceira causa de morte nessa faixa etária. A gente só perde para os homicídios e os acidentes de trânsito.

Apesar desses números alarmantes, há uma espécie de regra sobre não se falar em suicídios. Por que isso?
Suicídio e a morte são temas que não se quer falar ou ouvir. Existe até mesmo um mito de que a imprensa não deve divulgar, porque, quanto mais você divulga, mais promove novos suicídios. Existe até um manual de prevenção do suicídio para a imprensa. Na verdade, existem vários manuais confeccionados pela OMS, por uma equipe coordenada por um brasileiro, Manoel Bertolote, que servem para orientar diferentes profissionais sobre como contribuir para a prevenção do suicídio. No que diz respeito à imprensa, sabe-se que os casos não devem ser divulgados de forma sensacionalista, porque isso promove de alguma forma novos suicídios. Ainda assim, a gente sabe que a imprensa tem um papel fundamental, porque divulga os fatores de risco, os sinais e sintomas para que a população possa identificar e encaminhar para os locais especializados para tratamento os possíveis pacientes.

No jornalismo, não divulgamos suicídios. Em alguns casos, é apresentado o comportamento do paciente anteriormente à morte. Deixar a entender que foi um suicídio é um tipo de alerta positivo?
Acho que o papel da imprensa é justamente divulgar que está muito próximo. A gente não pode deixar de falar no assunto, porque o suicídio é apenas uma saída para a vida. Eu costumo dizer que o suicídio é uma carta na manga, é aquilo que o sujeito pode dispor quando a vida lhe parece insuportável. Não é inumano tentar se matar. Quanto menos a gente fala sobre o assunto, mais propício que ele aconteça. Quando a gente desmistifica e diz coisas como “isso pode acontecer com qualquer pessoa” ou “ele vinha se manifestando dessa maneira”, mostra que as pessoas devem estar atenta a sinais. Nessa questão das redes sociais, por exemplo, nós vemos que os pacientes falam coisas como “a vida está muito difícil, eu não vou suportar”, “se eu pudesse, eu morria”, “por que Deus não me dá um câncer?”. Quando os amigos sabem que essas falas são um sinalizador de que a pessoa não está bem, eles podem ajudar. O importante é nunca dizer coisas como “tire isso da cabeça”, porque isso é o comum para muitas pessoas e é um grande problema. Quanto menos a gente permite que o sujeito fale, maior a chance dele atuar. Se a gente puder perguntar o que está havendo e suportar o que o outro vai dizer, é a melhor forma de ajudar, e não dizendo que está tudo bem, que é para ele tirar aquilo da cabeça e que a vida é bela. A melhor forma de ajudar é acolher, suportar o que essa pessoa tem a dizer e, se for o caso, levá-lo a uma ajuda especializada. Então, voltando à pergunta, a imprensa é fundamental quando ela diz o desmembramento de uma pessoa em depressão que pode chegar ao suicídio. Então, se a sociedade está atenta e tem informação, ela pode intervir. A base de tudo é a informação, então a imprensa é fundamental.

Então a tecnologia tem um papel positivo sobre isso? Quais as consequências negativas das redes sociais, por exemplo?
Positivo se for bem utilizado. O problema é que também pode ser utilizado negativamente. A gente sabe que existem comunidades de pessoas que ensinam as outras a se suicidar ou de pessoas que se autoflagelam e mostram essas fotos. Esses grupos têm um efeito bacana no sentido de que, de alguma maneira, eles se ajudam, mas podem também trazer outros prejuízos se não forem bem conduzidos. Algumas pessoas, por exemplo, podem usar a internet para perguntar como se matar. Essa pergunta pode ser acolhida por alguém que ensine ou por pessoas que perguntem o que está havendo ou ainda por outros que digam coisas como “você está maluco?”, “não tem o que fazer?”. Uma vez, um paciente falou para mim: “a gente já sofre tanto, já é tão difícil, e quando a gente procura um meio para se matar, ainda vêm crucificar a gente, como se as pessoas não tivessem o direito a morrer da mesma forma que têm o direito de viver”. O grande problema é que quando as pessoas dizem “eu quero morrer” não significa necessariamente “eu vou me matar”. Pode significar “eu não quero viver essa vida”. Entretanto, essas pessoas ainda não têm o desejo, intenção ou coragem de se matar, mas elas levam tanto tempo esperando que a morte aconteça com um acidente ou por obra do destino que acabam tendo que fazer isso com as próprias mãos. Por isso, sempre que alguém diz “eu quero morrer”, eu levo a sério.

Quais são os preconceitos por parte de médicos ou até mesmo da família com relação a pessoas que tentam se matar?
Em um artigo que escrevi, eu digo que o suicida subverte a ordem médica, porque, ao longo da história da humanidade, o médico foi adquirindo um saber sobre a vida e sobre a morte. Esse saber conferiu a ela um certo poder. O suicida é aquele que prescinde o saber médico, então o médico entende isso como um desafio ao seu poder. O suicida é geralmente uma persona non grata. Em outro trabalho que realizei, coletei de pacientes o que eles ouviam ao chegar nas emergências: “você não queria se matar, você queria atrapalhar o meu plantão”; “da próxima vez, você vai no Elevador Lacerda e se joga que é tiro e queda”; “isso é falta de Deus, falta de fé”; “isso é falta de vergonha! Não tem o que fazer?”; “tentou suicídio por causa de namorado com tanto homem por aí no mercado”. São abordagens absolutamente inadequadas, até porque, se uma pessoa tenta o suicídio porque o namorado terminou, essa pessoa está precisando de ajuda, não de críticas ou humilhação. Se a pessoa partiu para uma tentativa de morrer é porque o sofrimento se tornou insuportável. É justo que a equipe de saúde que atende essas pessoas tenha outra postura. Se o médico se destitui desse lugar de poder para olhar o outro como um ser humano que sofre, isso pode ter outra forma de entendimento. O mesmo acontece com a família. No Neps nós realizamos reuniões com familiares com o objetivo de informar. A família, normalmente, tem uma ideia muito distorcida e tão preconceituosa acerca do suicídio e da própria depressão. A gente inicialmente acolhe o que eles pensam e depois começa a discutir uma nova forma de olhar e desmistificar esses problemas. Eles chegam com um ponto de vista e saem de lá pensando de uma forma diferente, com um olhar mais acolhedor e cuidadoso. Outro trabalho que a gente faz - que tá parado atualmente por falta de verba - é mensalmente ir até o interior para capacitação das Dires [Diretorias Regionais de Saúde], principalmente dos agentes comunitários, que vão até as casas. Dessa forma a gente dá ferramentas para que eles identifiquem na comunidade e encaminhem para a rede.

Quais foram os principais desafios enfrentados nesses anos de trabalho?
Acho que o maior desafio que a gente encontra hoje é a dificuldade de atender toda essa demanda. Me angustia ver tanta gente esperando, sendo que é uma clínica da urgência. A gente deveria ter mais gente trabalhando, por isso a gente está correndo com o curso de capacitação para os Caps. Outra coisa que a gente considera muito difícil é que, com a reforma psiquiátrica, os hospitais psiquiátricos fecharam. É ótimo que isso tenha acontecido, porque era desumano no formato que existia. Só que, para fechar os hospitais psiquiátricos, deveriam criar outras formas de atendimento, por exemplo, os Caps. No caso das curtas internações, o Caps III. Nós não temos Caps III em Salvador, então aquelas pessoas que precisam de internação não têm para onde ir. Não temos para onde encaminhar um paciente grave. Existe um interesse de se criar leitos psiquiátricos em hospitais gerais. Isso existe no Hospital das Clínicas, que foi o primeiro do Brasil a fazer isso. Ainda assim, é apenas feminino. Para um paciente que quer morrer, a internação em moldes que eram feitos anteriormente não é interessante, mas uma curta internação é importante para conter aquele impulso, quando não há tempo para fazer um tratamento. O maior desafio é não ter para onde encaminhar os pacientes graves. No mais, eu nunca tive problema com apoio, porque é um serviço sério e comprometido. Para você ter uma ideia, os pacientes que a gente acompanha têm nosso celular pessoal, porque em um momento de crise, mesmo fora do horário comercial, eles podem nos contactar. Uma vez, em um congresso, um rapaz me perguntou se não era muita invasão de privacidade dar o celular pessoal. Eu respondi que têm pessoas que escolhem ser jornalistas e são acordadas no meio da madrugada para cobrir um furo. Outras escolhem ser obstetras e são acordadas para trazer alguém à vida. E tem pessoas, como eu, que escolhem ser psicólogas ou psicanalistas, trabalhar com suicídio e são acordadas para manter alguém vivo. Porque é diferente você ligar para o CVV [Centro de Valorização da Vida], que é um programa maravilhoso, e não saber quem está do outro lado da linha, e ligar para alguém que já acompanha todo o seu processo.

Qual a média de atendimento mensal do Neps?
Uma média de 500 atendimentos, porque tem pacientes que a gente atende uma vez por semana, outros duas, outros três. Quem determina a necessidade do paciente somos nós a partir das condições de cada um. Com relação ao número de pacientes, é dificílimo dizer, porque é uma clientela que está em atendimento, abandona, depois volta. E nós sempre acolhemos quem retorna, porque é um comportamento normal. Para trabalhar com suicídio é preciso ter ânimo, atenção, interesse, que é uma coisa imprescindível. Uma vez, eu estava atendendo um paciente, e ele chegou com três horas de atraso. Eu voltei, porque eu sempre volto, nem que seja para falar por cinco minutos. Eu perguntei o que houve, e ele respondeu “eu não vinha, porque não tinha o dinheiro do transporte, mas resolvi vir”. Ele morava na Mata Escura, e a mulher dele perguntou como ele iria. “Eu vou andando e volto com a música”, ele respondeu. Quando perguntei sobre a música, ele me contou que escreve músicas, então eu pedi para ele cantar para mim. Ele falou “poxa, estou me sentindo iluminado, porque foi a primeira vez que alguém me pediu para ouvir minhas músicas”. Eu não fiz nada demais, apenas ouvi com interesse. Outra coisa importante é a neutralidade, ouvir sem censura o que aquela pessoa tem a dizer, mas não quer dizer ser passivo.

E quais são os sintomas para os quais as pessoas devem estar atentas?
A pessoa começa a mudar sua atitude diante da vida, como não sair mais, não querer mais ter contato com pessoas. Perde-se o interesse pela vida, até mesmo o interesse sexual. A pessoa passa a apresentar ou tristeza ou irritabilidade e sempre tem angústia. E algumas se referem à angústia como uma dor no peito. A medicina hoje já reconhece a dor da angústia como semelhante à dor precordial, ou seja, a dor do infarto. Estudos mostram que 55% das pessoas que se dirigem às emergências achando que estão infartando estão, na verdade, tendo uma crise de angústia. A dor é tão dilacerante que algumas pessoas se matam para se livrarem dessa dor. Quando a pessoa começa a sentir tristeza, angústia, irritabilidade, falta de desejo, interesse e motivação, a gente percebe que tem alguma coisa errada. Então ela começa a verbalizar que não tem mais vontade de viver. Quando isso acontece é porque, muitas vezes, já estão planejando como fazer. Há distúrbios também como alimentares: a pessoa pode comer demais ou de menos. Há o distúrbio do sono, quando geralmente dormem pouco. As pessoas acordam de madrugada e não conseguem mais dormir.

Fonte: Bahia Notícias.

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