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O Risco de Picadas por Abelhas

Os acidentes por abelhas são freqüentes e levam sérios riscos às vítimas, é o que afirma o farmacêutico Jucelino Nery da Conceição Filho, Coordenador de Apoio Diagnóstico e Terapêutico do CIAVE. Segundo Jucelino, só em 2009 foram notificados através do SINAN 344 casos de acidentes por este tipo de animal peçonhento. Em 2010 foram mais de 330 casos, alguns deles coletivos como o que aconteceu no bairro de Politeama no último domingo, dia 02/01, que acometeu mais de 20 pessoas e levou uma senhora de 83 anos a óbito.

O farmacêutico esclarece que animais peçonhentos são aqueles que produzem veneno e possuem uma estrutura própria para a sua inoculação, como as presas (dentes mais desenvolvidos e ocos com canal interior por onde passa o veneno) das serpentes, o ferrão das aranhas, dos escorpiões (no final da cauda) e das abelhas (no final do abdômen).

As abelhas pertencem à ordem Hymenoptera, que inclui as vespas, marimbondos e formigas. O veneno das abelhas é uma mistura complexa de substâncias químicas com atividades tóxicas como: enzimas hialuronidases e fosfolipases, peptídeos ativos como melitina e a apamina, aminas como histamina e serotonina entre outras.

Jucelino explica que quando da picada, o ferrão da abelha fica preso à pele juntamente com parte do intestino do animal e a glândula de veneno envolta por uma membrana pulsátil. Quanto mais tempo o ferrão permanece preso, mais veneno será inoculado. Por isto, a retirada deve ser feita mais precocemente possível. A vítima deve ser conduzida a um serviço médico e, no caso de orientação, deve ligar para o CIAVE através do número 0800 284 4343.

As manifestações clínicas podem ser alérgicas (mesmo com uma só picada) e tóxicas (múltiplas picadas). Após uma ferroada, ocorre dor aguda local, que tende a desaparecer espontaneamente em poucos minutos, deixando vermelhidão, prurido e edema por várias horas ou dias. O edema flogístico evolui para enduração local que aumenta de tamanho nas primeiras 24-48 horas, diminuindo gradativamente nos dias subseqüentes.

Menos de 10% dos indivíduos que experimentarem grandes reações localizadas apresentarão as reações sistêmicas de anafilaxia, com sintomas de início rápido, onde podem estar presentes sintomas gerais como cefaléia, vertigens, calafrios, agitação psicomotora, sensação de opressão torácica, entre outros, e sintomas localizados em aparelhos e sistemas, como: prurido generalizado, eritema, urticária e angioedema; rinite, dispnéia, edema dos lábios, náuseas, cólicas abdominais ou pélvicas, vômitos e diarréia; hipotensão, palpitações e arritmias cardíacas e outros.

Nos acidentes provocados por ataque múltiplo de abelhas desenvolve-se um quadro tóxico generalizado denominado de Síndrome de Envenenamento, por causa da quantidade de veneno inoculada. Há dados indicativos de hemólise intravascular e rabdomiólise. Alterações neurológicas como torpor e coma, hipotensão arterial, oligúria/anúria e insuficiência renal aguda podem ocorrer. Distúrbios graves hidroeletrolíticos e do equilíbrio ácido-básico, anemia aguda pela hemólise, depressão respiratória e insuficiência renal aguda são as complicações mais relatadas.

O farmacêutico Jucelino alerta que nos acidentes, principalmente aqueles causados por grande quantidade de abelhas, a retirada dos ferrões da pele deverá ser feita por raspagem com lâmina (de barbear, por exemplo) e não pelo pinçamento com os dedos ou pinça comum, pois a compressão dos ferrões poderá comprimir a glândula ligada a ele e inocular no paciente o veneno ainda existente. O toxicologista ressalta ainda que os pacientes vítimas de enxames devem ser mantidos em UTI, em razão da alta mortalidade observada.

As vespas são também conhecidas como marimbondos. A composição de seu veneno é pouco conhecida. Seus alérgenos apresentam reações cruzadas com os das abelhas e também produzem fenômenos de hipersensibilidade. Ao contrário das abelhas, não deixam o ferrão no local da picada. Os efeitos locais e sistêmicos são semelhantes, porém menos intensos, e podem necessitar esquemas terapêuticos idênticos.

Fonte: CIAVE. Leia mais.

Comentários

  1. queria mt saber sobre as especies de abelha que provocam inchaço coceira e vermelhidão...

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  2. Prezado, todas as abelhas possuidoras de ferrão, ao ferroar, produzem inchaço (edema), dor, vermelhidão e coceira (prurido). Hoje em dia, as abelhas africanizadas dominam toda a América do Sul, a América Central e parte da América do Norte. Estas abelhas são resultantes das abelhas africanas e seus híbridos com as abelhas européias.

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