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Estudos sugerem que praguicidas comumente usados danificam o cérebro de insetos polinizadores


Os praguicidas são ferramentas agrícolas importantes usados freqüentemente em conjunto para evitar a resistência por parte das espécies praga-alvo. praguicidas que visam a neurotransmissão colinérgica são altamente eficazes, entretanto sua utilização vem sendo relacionada ao declínio da população de insetos polinizadores. Há uma crescente preocupação que a utilização generalizada de praguicidas tenha contribuído para o declínio das populações de polinizadores observado mundialmente. A interferência provável do praguicida se dá no sofisticado comportamento de procura de alimentos desenvolvido pelos polinizadores, que os obriga a aprender e lembrar traços florais determinados.
Experimentos realizados por Williamson & Wright e Palmer e colaboradores, publicados no ultimo mês respectivamente no Journal of Experimental Biology e Nature Comunications mostram que a exposição de abelhas a duas classes de substâncias colinérgicas amplamente utilizadas em praguicidas: neonicotinóides (agonista dos receptores nicotínicos) e acaricidas organofosforados (inibidores da acetilcolinesterase) diminuem a atividade cerebral, a aprendizagem e a memória olfativa de abelhas, especialmente quando os dois praguicidas são usados conjuntamente.
Embora níveis subletais de neonicotinóides interrompam os processos normais de comportamento e aprendizagem em abelhas, a base neurofisiológica desses efeitos não foi ainda perfeitamente entendida. Williamson e Wright evidenciaram que exposição a concentrações subletais do neonicotinóide imidacloprid e do organofosforado coumaphos, ou a combinação de ambos, prejudica o aprendizado olfatório e a formação da memória em abelhas melíferas, características importantes para o sucesso na busca de alimento. Palmer e colaboradores mostram que a exposição aos mesmos compostos causa uma despolarização neuronal que inibi as respostas aos nicotínicos. Estes efeitos são observados em concentrações que vêm sendo encontradas corriqueiramente por abelhas dentro da colméia.
As companhias que manufaturam os praguicidas retrucam que resultados de laboratório nem sempre se aplicam ao meio natural, é fato, entretanto que as abelhas melíferas enfrentam um futuro incerto em todo o mundo pela perda de habitat e queda significativa nas populações naturais.

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