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Cientistas Contestam Pesquisa sobre Desenvolvimento de Bactérias com Arsênio

Foto: Divulgação/Science
A revista Science publicou na última quinta-feira, dia 02/12, o trabalho de pesquisa patrocinado pela NASA onde cientistas coletaram na Califórnia bactérias que cresceram no laboratório em um meio onde o fósforo - elemento considerado como essencial para a vida - foi substituído pelo arsênio, elemento altamente tóxico.

Este resultado tem impacto sobre diversas áreas da Ciência, pois gerar a possibilidade de existência de outros tipos de vida extraterrestre e, principalmente, abala um dos conhecimentos mais sólidos dos bioquímicos que consiste no princípio de que o carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, enxofre e fósforo (conhecidos como CHONPS) são os elementos essenciais da vida, presentes em DNA, proteínas e lipídios.

De acordo com o estudo, o arsênio foi incorporado ao DNA das bactérias, substituindo o fósforo. Este fato tem gerado questionamentos por parte de cientistas importantes da área. Jack W. Szostak, ganhador do Prêmio Nobel em Fisiologia e Medicina do ano passado e pesquisador da Universidade de Harvard, afirmou em entrevista ao IG não estar convencido de que há arsênio no DNA da linhagem bacteriana estudada. De acordo com Szostak, a substituição de arsênio por fósforo é quimicamente improvável, uma vez que os compostos formados se quebram rapidamente na presença de água. O cientista afirma ainda que “as afirmações do trabalho são completamente infundadas por seus dados. Não há um único experimento em que eles tenham isolado um metabólito ou uma molécula específica mostrando que o arsênico substituiu o fósforo”.

Segundo ainda Szostak, o nível detectado de arsênio no DNA é extremamente baixo, tanto para as células que cresceram com fonte de arsênio quanto para as que cresceram com fonte de fósforo, nível este que poderia ser explicado por uma possível contaminação de reagentes usados nos experimentos.

Outro cientista descrente no estudo é Steven Benner, da Foundation for Applied Molecular Evolution em Gainesville, Florida. O cientista trabalha com formas alternativas de DNA e afirmou em entrevista ao iG que, mesmo quando dois elementos são vizinhos na tabela periódica (como o silício e carbono e o arsênio e fósforo), as diferenças de suas reatividades tornam as substituições desafiadoras para os cientistas. Ele afirma que substituir o fósforo por arsênio no DNA torna as estruturas instáveis, principalmente na presença de água. Explica ainda que em uma das figuras do trabalho da Science, o DNA aparece estável na água e se comporta como um DNA padrão. “Isso é um forte indício de que o que eles estão vendo não é DNA cujos fósforos foram substituídos por arsênio”.

Por sua vez, Sam Kean, autor do livro “The Disappearing Spoon”, best-seller do New York Times que conta histórias inusitadas sobre cada um dos elementos da tabela periódica, afirma que não é incomum bactérias, outros microrganismos e formas mais complexas de vida incorporarem elementos da tabela periódica ao seu metabolismo. Segundo ele, “algumas bactérias usam até urânio”.

Procurada pelo iG, Felisa Wolfe-Simon, responsável pela pesquisa, disse, via assessoria de imprensa da Nasa, que precisaria de alguns dias para responder às alegações de Szostak e Benner.

Fonte: IG. Leia mais.

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