Pular para o conteúdo principal

Riscos dos Medicamentos "Naturais" para Emagrecimento

Com a chegada do verão, as pessoas procuram melhorar o seu visual, seja através do vestuário, seja através da estética. Para isto, algumas buscam perder os quilinhos a mais através de uma alimentação balanceada e exercícios. Outros, recorrem ao uso de medicamentos que prometem milagres e que são vendidos sem receita médica em farmácias e pela internet.

Neste domingo (19/12), o programa Fantástico (Rede Globo) trouxe à tona a problemática dos medicamentos ditos naturais utilizados para emagrecimento. Alguns destes não possuem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), tendo, desta forma, a sua venda ilegal no país.

A matéria do Fantástico mostrou o medicamento vendido como um produto natural denominado de Divine Shen, vendido sem receita médica em farmácias e de grande procura pelos clientes para emagrecimento.

De acordo com a reportagem, há um mês a promotoria criminal de São Paulo recebeu uma denúncia anônima. De acordo com o documento, a fórmula do produto em questão era diferente da declarada na embalagem.

Três amostras foram compradas em pontos diferentes da capital e analisadas pelo Instituto de Criminalística de São Paulo. De acordo com os resultados, as três amostras apresentaram em sua composição a sibutramina, uma droga sintética utilizada no tratamento da obesidade, de comercialização controlada (tarja preta) com a venda sob apresentação e retenção de prescrição médica.

A sibutramina, de acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), possui efeitos colaterais sérios, principalmente para pessoas com doença cardiovascular, incluindo coronariopatias, acidente vascular cerebral ou isquemia transitória, arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca congestiva, doença arterial periférica e hipertensão arterial.

Ainda conforme a reportagem, o Ministério Público encaminhou os laudos para a Policia Federal e para ANVISA. “A comercialização de substâncias adulteradas dentro do sistema de saúde publica é mais grave do que o tráfico de cocaína, que o tráfico de crack, que o trafico de maconha. Nós vamos contar a partir de agora com apoio da própria vigilância sanitária porque esse produto precisa ser imediatamente retido, retirado do mercado”, garantiu o promotor José Reinaldo Carneiro.

“Com esses laudos em mãos, nós vamos fazer a interdição cautelar do produto em todo território nacional, vamos abrir um processo administrativo, fazer uma análise fiscal e, dependendo do resultado encontrado nessa análise fiscal, o produto pode ser proibido. A importação do produto ou até mesmo o registro do produto”, explica Antônia Aquino, gerente de produtos especiais da ANVISA.

Assim como o Divine Shen, outros produtos tem sido comercializados irregularmente. Um exemplo é a Caralluma, que é extraída de um cacto de origem indiana. O produto ajudaria a reduzir o apetite e acelerar a queima de gordura, entretanto, não existem estudos científicos que comprovem essas alegações. Este produto é comercializado como isento de efeitos colaterais e não possui registro na ANVISA.

Vale ressaltar a afirmação do Dr. Márcio Mancini, presidente do departamento de obesidade da SBEM e presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO): “nenhum suplemento, nenhum remédio vendido como natural serve para acelerar um emagrecimento. Produtos naturais para emagrecer, ainda não foi inventado nenhum que realmente funcione”.

“A ANVISA não recomenda a utilização de medicamentos que não tiveram a sua eficácia e segurança comprovadas, exatamente por nós não sabermos os males que esse medicamento pode trazer”, reforça Monica da Luz Soares, gerente de tecnologia farmacêutica da ANVISA.

Fonte: CIAVE. Leia mais.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Intoxicação por pó-de-mico

Continua um mistério a causa do surto que ocorreu no mês de março no município de Apuarema, interior da Bahia. A história teve início no dia 21/03, na Escola Municipal Aurino Nery, quando diversos alunos da oitava série manifestaram sinais de prurido na sala de aula causando uma pequena aglomeração naquele estabelecimento de ensino. Cerca de oito alunos manifestaram esses sinais na sala, saíram para o pavilhão e entraram em contato com turmas vizinhas  que acabaram manifestando os sintomas de prurido e urticária. O evento ocorreu se repetiu alguns dias depois. Ao todo foram mais de 40 crianças acometidas. Algumas apresentaram cefaléia. O colégio foi fechado temporariamente pela secretaria municipal de educação. As aulas foram retomadas no dia primeiro de abril sem indícios de um novo incidente. Suspeita-se que alguém tenha introduzido no local alguma substância. Pensou-se na possibilidade de ter sido “pó-de-mico”. O “pó-de-mico” consiste em tricomas (semelhante a pêlos) que recobrem as…

Ciave alerta para aumento do risco de acidente escorpiônico e fake news

Na Bahia, em 2018, ocorreram 24.714 casos de acidente por animais peçonhentos, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan, com 188 ocorrências em Salvador. Entre eles, o acidente escorpiônico predominou com 18.985 (76,8%), dos quais 47 se deram na capital.
No ano passado, o Centro de Informações Antiveneno – Ciave registrou o atendimento de 2.425 casos de escorpionismo. Já nessa primeira quinzena de janeiro, o Centro registrou 127 casos, 10% a mais que o mesmo período em 2018, com uma média de 9 ocorrências por dia.
Segundo Jucelino Nery, diretor do Ciave e coordenador estadual do Programa de Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos, os acidentes escorpiônicos tiveram em 2018 um aumento de 22%, em relação ao ano anterior. Além do clima, o crescimento desordenado das áreas urbanas, a falta de saneamento básico, o desmatamento e o acúmulo de lixo, entulhos e restos de material de construção fazem com que os escorpiões procurem abrigo e alimento (insetos…

Águas vivas começam a aparecer em maior quantidade em Itajaí

Quem aproveitou a manhã de quarta-feira para caminhar pela areia da Praia da Atalaia em Itajaí teve que desviar de águas vivas. Os organismos marinhos surgiram aos montes e deixaram a areia coberta. Apesar de causarem preocupação aos banhistas, as encontradas ali não provocam as populares queimaduras, que na verdade são um tipo de envenenamento. De acordo com o Corpo de Bombeiros a espécie presente na Atalaia é a racostoma atlanticun, que não queima. Isso, porém, não significa que os banhistas devem ter contato com o animal marinho. Isso porque é difícil identificar se uma água viva é nociva ou não. Coordenador de praia da corporação e oceanógrafo, o soldado Daniel Ribeiro explica que só especialistas conseguem identificar quais espécies causam queimaduras e que algumas se assemelham muito as racostoma, mas queimam. Ribeiro explica que o surgimento das águas vivas perto da costa ocorre em função de uma série de fatores naturais. Um deles são as correntes marinhas que transportam os orga…