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Suspeita de bioterrorismo no aparecimento de praga no país


O Jornal A TARDE informou no último domingo (12/05) que, segundo o secretário estadual da Agricultura (Seagri) - o engenheiro agrônomo Eduardo Salles - o ataque da lagarta Helicoverpa armigera que atinge plantações de algodão e soja em nove municípios do Oeste baiano e outros quatro estados (Paraná, Goiás, Piauí e Mato Grosso) pode ser resultado de bioterrorismo.

De acordo com a nota emitida pelo secretário, a Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estão investigando a suspeita. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a praga é da categoria quarentenária A1, ou seja, é um organismo que não existia no país e que estando presente, mesmo sob controle permanente, constitui ameaça à economia agrícola do país ou região importadora exposta.

Só na Bahia, a praga já causou prejuízo de mais de R$ 1 bilhão e compromete 228 mil hectares de algodão. Ainda de acordo com o secretário, há o risco de o problema atingir outras regiões do Brasil, além dos quatro estados já citados.

Na sexta-feira passada (10/05), o secretário da agricultura se reuniu em Barreiras com promotores dos Ministérios Públicos do Trabalho (MPT) e do Estado (MPE), além do diretor geral e do diretor de Defesa Vegetal da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) - vinculada à Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri)Paulo Emílio Torres e Armando Sá, produtores e secretários de Agricultura, de Saúde e do Meio Ambiente dos municípios de Barreiras, São Desidério, Luís Eduardo Magalhães, Baianópolis, Formosa do Rio Preto, Riachão das Neves, Correntina, Jaborandi e Cocos. 

Na reunião, discutiu-se as regras para aplicação do benzoato de emamectina, um agrotóxico não registrado pela Anvisa e que já foi utilizado em outros países no combate à lagarta Helicoverpa

Este agrotóxico teve seu uso autorizado pelo Comitê Técnico de Assessoramento para Agrotóxicos (CTA), formado por representantes dos Ministérios da Agricultura, Meio Ambiente e Saúde, decidida no dia 18 de março, exclusivamente para a Bahia, e o pedido de registro do benzoato de emamectina foi respaldado pelo laudo técnico encaminhado ao Mapa pela Adab, Embrapa e associações de produtores. Renováveis (Ibama) e o setor de saúde do Estado da Bahia são contra o registro e utilização do produto em virtude do risco decorrente do uso e das poucas informações disponíveis sobre a toxicidade em humanos.


A autorização foi dada menos de duas semanas depois de o Ministério da Agricultura, através da Secretaria de Defesa Agropecuária, publicar a Portaria nº 42, declarando emergência fitossanitária no País devido ao ataque da praga em lavouras de algodão, milho e soja na região Oeste do Estado pela lagarta. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o setor de saúde do Estado da Bahia são contra o registro e utilização do produto em virtude do risco decorrente da exposição e poucos dados científicos disponíveis acerca da toxicidade em humanos.

O produto está armazenado no aeroporto de São Paulo e deverá chegar ao município de Luís Eduardo Magalhães, onde vai ficar armazenado, nesta quarta-feira (15/05). Inicialmente, será utilizado em 10 propriedades em fase de teste, sob controle da Adab, além da fiscalização do uso, monitoramento das doses, do número de aplicações e das tecnologias utilizadas. Após análise do efeito, o material será usado em todas as lavouras atingidas pela praga.

Os órgãos de saúde da Sesab estão de prontidão para a orientação e o atendimento a eventuais ocorrências de intoxicação, inclusive o centro Antiveneno da Bahia (Ciave) e a Diretoria de Vigilância à Saúde do Trabalhador (Divast).


Fonte: Ciave, A Tarde. Leia mais.

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