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Depressão em Pacientes com Síndrome Coronariana Aguda

Maria Cristina Bechelany Dutra, psiquiatra, mestre em psicologia social, preceptora da residência de psiquiatria do Hospital de Ensino Instituto Raul Soares/FHEMIG (Belo Horizonte), comenta estudo clínico sobre a  depressão em pacientes com síndrome coronariana aguda e sintomas depressivos persistentes realizado por Davidson e colaboradores, o qual foi publicado no periódico Archives of Internal Medicine, de 12 de abril de 2010. Segundo a psiquiatra, os fatores de risco para as doenças coronarianas vêm sendo objeto de estudo nos últimos anos na medida em que estas doenças encontram-se dentre as mais prevalentes na faixa etária da população adulta, associadas a grande comprometimento na qualidade de vida e elevado índice de mortalidade.

Como citado no artigo em questão, a depressão representa um importante fator de risco para estas doenças, assim como a falta de atividade física, o tabagismo, a dieta rica em gorduras, entre outros. Um dos problemas associados à presença da depressão nos pacientes portadores de doenças físicas crônicas é a fraca adesão aos tratamentos prescritos para estas doenças. Os pacientes deprimidos com doenças coronarianas crônicas, por exemplo, aderem menos aos regimes de medicamentos cardíacos, às intervenções direcionadas para os fatores de risco relacionados ao estilo de vida do indivíduo e aos programas de reabilitação cardíaca. Além disto, diversos antidepressivos são seriamente contraindicados para pacientes com problemas cardíacos e todo medicamento deve ser prescrito levando-se em conta os efeitos colaterais e as interações medicamentosas, tão comuns nestes pacientes, que geralmente fazem uso de vários medicamentos. Estes aspectos apenas revelam parte da complexidade desta relação entre depressão e doenças coronarianas crônicas.

Parece óbvio que o tratamento da depressão deveria trazer benefícios inquestionáveis para estes pacientes. Entretanto, alguns trabalhos ressaltam que o tratamento da depressão nesta população traz poucos ou nenhum benefício na recuperação e no tratamento das doenças cardiovasculares. O que parece bastante claro é a necessidade de estudos nesta área. Neste sentido, o artigo em questão é de extrema relevância na medida em que comprova a melhora dos sintomas depressivos e do prognóstico da doença cardiovascular quando o paciente é submetido a um tratamento “intensificado”.

A depressão é um transtorno psiquiátrico complexo que pode comprometer gravemente a vida de seu portador, sobretudo quando se encontra associada a outras comorbidades, o que não é incomum. Seu tratamento vai bem além do tratamento biológico e as outras abordagens, como a psicoterápica, são comumente deixadas de lado. O que este estudo revela é justamente a ineficácia de um tratamento que não leva em conta toda a complexidade e os aspectos envolvidos na depressão.


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